O ministério do profeta Eliseu foi marcado por milagres. Sua vida e labor ministerial produziram frutos que ultrapassaram a sua época, e que ainda hoje, retratam a realidade do cotidiano da igreja e a obra do ministério com fidelidade.
O discernimento, sem dúvida, foi o dom de Deus que mais se evidenciou na vida do profeta. A formulação dos conteúdos da sua doutrina e fé tiveram como base a realidade do seu tempo, porém a verdade dos princípios que expressaram continuam atuais.
Permita-me compartilhar convosco sobre um dos episódios do ministério de Eliseu avaliando em alguns dos seus aspectos a doutrina bíblica, sua prática e exposição.
O Senhor Jesus nos advertiu que viriam dias que haveria fome não somente de pão, mas de ouvir a Palavra de Deus.
Um caldo de ervas (v.38) foi a solução que o profeta Eliseu encontrou para alimentar os alunos da escola de profetas. Numa época de fome o homem de Deus precisa ousar em confiança e fé para alimentar os famintos espirituais.
Todo cuidado ainda é pouco quando nos propomos a alimentar os discípulos do mestre. O caldo de ervas que alimentaria os discípulos dos profetas estava pronto, porém, havia morte na panela. Um profeta inexperiente preparou a comida com ingredientes que não conhecia (v.39) e acabou por envenenar a refeição.
O jovem tinha vontade, prazer, vigor, força; mas faltava-lhe experiência, conhecimento, discernimento e visão. Aprendemos com ele que mesmo as melhores intenções podem ter conseqüências funestas (IISm.6:6-7). Aprendemos que é fácil sermos enganados pela aparência (ISm.16:7).
Os homens só descobriram que havia veneno na comida, depois que provaram dela (v.40). Então recorreram ao homem de Deus. Eliseu pediu farinha e ele mesmo a pôs no caldo de ervas, neutralizando o veneno da comida e todos puderam alimentar-se.
Todo pastor comprometido com Deus almeja pastorear uma igreja onde a teologia e a pureza doutrinária sejam sólidas. Contudo, temos que admitir que na panela onde se prepara a doutrina não pode faltar a farinha. Jesus! O Pão vivo que desceu do céu. A farinha que produziu este pão é a mesma que tira o veneno da doutrina. Numa época em que a pureza e a santidade estão sendo drenadas da doutrina bíblica e do estilo de vida de muitos crentes, cabe a nós certificarmo-nos de que na panela da doutrina bíblica não pode faltar farinha.
Infelizmente alguns que estão expondo a doutrina bíblica, não estão habilitados para fazê-lo. Esses líderes muitas vezes, sob inacreditável suporte institucional, acabam usando ingredientes que envenenam a doutrina bíblica. As diversas funções do ministério os ajudam, inclusive, a camuflarem suas motivações impuras e prostituídas.
Por muito tempo, parte da igreja teve ou ainda tem, dificuldade de entender a doutrina bíblica e por isso, muitas vezes, a tem confundido com costumes. O que talvez alguns pastores ainda não compreenderam, é que, é o princípio e não a regra que determina o padrão doutrinário dos fiéis.
A rigidez levou algumas igrejas a fazerem uma defesa obcecada da doutrina, e isso não está errado. O problema é que a igreja desenvolveu uma postura de certa forma, legalista em alguns aspectos, o que acabou levando-a a desviar-se do foco central da sua vocação e missão.
A seriedade doutrinária é importante e necessária, porém, a rigidez dogmática afeta de forma marcante até hoje, a espiritualidade e a vida pessoal dos crentes. Tem veneno na panela. A doutrina bíblica não coloca uma “camisa-de-força” nas pessoas, pelo contrário, ela visa fortalecê-las para cumprirem os propósitos de Deus.
Quantas experiências, histórias e situações ouvimos falar, ou conhecemos pessoalmente, em que irmãos e irmãs são descartados em nome da doutrina. Os líderes que agem assim comem e servem ao povo de Deus um alimento comprometido pelo veneno da hipocrisia. A prova disto é que alguns pastores são capazes de desprezar princípios e valores da doutrina bíblica para acalmar ou acomodar certas situações de quem está em pecado; mas não são capazes de conceber que doutrina sem amor é legalismo e amor sem doutrina é relaxamento espiritual.
Vamos pôr “farinha na panela da doutrina”. Uma multidão está alimentando a sua alma com o “caldo de ervas” envenenado, que por certo, conduzirá as pessoas à esterilidade e até à morte espiritual. Quem envenena a doutrina não é o povo, mas sim o profeta. Ficamos estarrecidos ao ver alguns pastores abrirem mão de pontos fundamentais da doutrina bíblica para negociarem a sua integridade diante do altar da popularidade.
O “marketing”, a “teatralização” dos púlpitos, a concorrência entre igrejas, a manipulação das massas, os espetáculos e os “shows da fé” estão envenenando a motivação e a ética cristã.
Infelizmente há muita doutrina com veneno sendo servida à igreja. Ouve-se a voz estridente do fariseu, enquanto a voz profética é silenciada. Devemos retornar ao padrão de santidade e pureza que a doutrina bíblica nos impõe. Do contrário será apenas uma questão de tempo para que a igreja tenha o nome de viva estando morta. Certamente, Deus intervirá e levantará profetas para proclamar que É TEMPO DE RETORNARMOS AO SENHOR. Em Cristo Jesus e porque Ele vive!
Pr. Antonio José Azevedo |